Se realizou um teste genético—seja um exoma, um painel de genes ou uma sequenciação do genoma completo—é provável que o seu relatório inclua uma ou mais Variantes de Significado Incerto, habitualmente abreviadas como VUS. Trata-se da classificação mais frequente e, ao mesmo tempo, a que suscita mais questões.
O sistema de classificação ACMG
As diretrizes internacionais ACMG/AMP (Richards et al., 2015) estabelecem cinco categorias para cada variante genética:
- Patogénica (P) — causa diretamente ou contribui para a doença.
- Provavelmente Patogénica (LP) — evidência forte mas não conclusiva de patogenicidade.
- VUS — evidência insuficiente para classificar em qualquer direção.
- Provavelmente Benigna (LB) — a evidência sugere que é inofensiva.
- Benigna (B) — claramente sem efeito clínico.
Porquê existem tantas VUS?
Quanto mais genes se analisam, mais VUS se encontram. Um exoma típico pode revelar centenas de VUS; um genoma completo, milhares. Isto é inteiramente normal e não deve ser motivo de alarme.
A razão é estatística: o genoma humano contém milhões de variantes relativamente à referência, e para a maioria delas não existe ainda evidência clínica suficiente em nenhum sentido. Todos os anos, milhares de estudos funcionais e de associação são publicados, reclassificando variantes de VUS para patogénica ou benigna.
O que deve fazer com uma VUS no seu relatório?
1. Não a ignore, mas não a sobreinterprete
Tome nota de quaisquer VUS que apareçam em genes relevantes para a sua história clínica ou familiar. Estas são as que têm maior probabilidade de serem reclassificadas no futuro.
2. Consulte um geneticista clínico
Um geneticista clínico pode avaliar se a VUS é relevante no seu contexto específico: Tem história familiar? O fenótipo é compatível? São possíveis estudos de segregação?
3. Tire partido da reanálise periódica
Na OmicaLabs, todos os relatórios GenePortal são automaticamente atualizados sempre que as bases de dados clínicas (ClinVar, gnomAD) reclassificam variantes. O que é uma VUS hoje pode ser reclassificado como benigno—ou patogénico—dentro de um ano.
Um dado encorajador
De acordo com estudos recentes, aproximadamente 90% das VUS que são reclassificadas revelam-se benignas. Apenas uma pequena percentagem é reclassificada como patogénica, e quando isso acontece, a reanálise automática garante que não lhe escapa.
Se tiver dúvidas sobre alguma variante no seu relatório, contacte-nos ou marque uma consulta com a nossa equipa de genética clínica.
